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Farol #35 – Uma visão do que o mundo pode ser: cobertura do ChangeNOW 2025

Fomos até Paris para cobrir o maior evento global de soluções para o planeta. Reunimos aqui os primeiros destaques

As últimas semanas têm sido movimentadas por aqui. Fomos a Paris cobrir o ChangeNOW, participamos de um evento sobre dupla materialidade na Universidade Politécnica de Valência e fizemos uma viagem de imprensa para conhecer uma planta de energia fotovoltaica em meio a vinhedos no interior da Comunidade Valenciana.

Hoje, vou falar um pouco sobre essas coberturas e compartilhar o que já aprofundamos em matérias e vídeos.

ChangeNOW 2025

Este foi nosso segundo ano cobrindo o ChangeNOW. E, de novo, os franceses entregaram!

A feira estava incrível e vimos ótimas palestras e painéis sobre economia regenerativa, comunicação, ciência climática, capacitação de agentes públicos, degrowth, pauta climática nos Conselhos, ativismo, a influência da imprensa, economia além do PIB e mais.

O assunto desta Farol veio de uma frase que Santiago Lefebvre, CEO do ChangeNOW, usou na abertura: o “ChangeNOW é uma visão do que o mundo pode ser”.

Já publicamos quatro matérias para aprofundar o que vimos, e a cobertura continuará nas próximas semanas. Inclusive, vamos fazer um webinar com convidados especiais para debater o que ficou dos três dias intensos de evento.

Se você quiser acompanhar, cadastre-se aqui e avisaremos em primeira mão.

Além das matérias, listadas abaixo, publicamos um reel no Instagram pra mostrar um pouco do ChangeNOW e falar sobre o que o mundo pode ser. Corre lá ver.

Fica o destaque também para a delegação brasileira. A comitiva, organizada pela Nastassia Romano, fundadora da consultoria Business Development for Good, levou empreendedores, investidores e consultores do Brasil para participar do evento e de atividades extras.

Ah, e São Paulo vai receber, em outubro, uma das três versões light internacionais do ChangeNOW. As outras cidades são Tunis (Tunísia) e Bangalore (Índia). Quando tivermos mais informações, compartilharemos aqui.

Uma breve reflexão para marcas patrocinadoras de eventos

Um aspecto negativo, mas que está longe de ser um problema único do ChangeNOW, é o holofote direcionado a patrocinadores em espaços de debates.

Explico: acompanhamos um bom painel sobre construção civil com três empreendedoras de impacto com histórias incríveis. Uma delas, inclusive, foi a Camila Jordan, que representou a brasileira Teto.

Foto: Guillaume FONTAINE / Memento

Antes do painel, o CEO do Saint-Gobain apresentou um relatório que tem seu valor, mas fez isso em uma conversa sonolenta de 25 minutos que poderia ter sido resumida em cinco.

Entendo o interesse óbvio da marca em querer destaque, mas será que não dá pra pensar em estratégias mais criativas e relevantes ao contexto de um evento que demanda mudanças agora?

E se a Saint-Gobain abrisse mão desse espaço para dar mais visibilidade às empreendedoras de impacto e anunciasse uma doação para cada uma delas? O que tem mais chance de repercutir positivamente para a marca, seja in loco ou depois, nas redes sociais, imprensa e canais de comunicação da própria organização? Indo além, e se essa história vier com um compromisso de ter o capítulo dois contado no ano que vem?

Seja essa marca!

Pensamentos que iluminam e ecoam

O último destaque que trago do ChangeNOW hoje vem de Lewis Akenji, CEO do Hot or Cool Institute, think thank que explora a intersecção entre sociedade e sustentabilidade.

Ele falou sobre repensar modelos econômicos para colocar justiça e equidade em primeiro lugar e fez um alerta ao dizer que olhamos para a transição energética como a fonte para a solução de todos os problemas, mas que esquecemos do ponto central, que é o fato de vivermos sob uma economia baseada em consumo.

Foto: @LEMENU @Arthur M.BURT

“Estamos confundindo eficiência com sustentabilidade e não questionando a lógica de consumo”.

Logo depois de ouvir Lewis, acompanhei um bate-papo sobre economia regenerativa com o economista-chefe do Triodos Bank, que ele afirmou ser “provavelmente, o primeiro banco post-growth do mundo”, mas falamos sobre isso outro dia.

A cobertura do ChangeNOW segue por aqui, no Instagram, no LinkedIn e no webinar do dia 04/06. Te convido a se cadastrar para receber os detalhes: https://materiais.aeconomiab.com/webinar-changenow

Do cumprimento de regras à oportunidade: a dupla materialidade como vantagem competitiva

Na última terça-feira, fui à Universidade Politécnica de Valência acompanhar um evento intitulado Do cumprimento de regras à oportunidade: a dupla materialidade como vantagem competitiva.

Organizado pela DIRSE, rede que reúne lideranças de sustentabilidade, o evento teve como objetivo apresentar o toolkit “Cómo abordar la Doble Materialidad en las empresas”, que apoiou organizações como Telefónica, Repsol, Accenture, Atletico de Madrid, entre outras, em suas jornadas.

Destaco uma frase de Nuria Pizarro Casado, Head de ESG Strategy & Reporting na Telefónica, durante sua apresentação no encontro. “A análise de dupla materialidade não é apenas um relatório, é uma ferramenta eficaz de gestão”.

Estamos editando uma matéria sobre o evento em que falamos mais sobre o toolkit, mas adianto que ele pode ser acessado gratuitamente no site da DIRSE. Recomendo, aliás, conhecer os outros materiais da DIRSE. Tem coisas muito interessantes!

Energia fotovoltaica em meio a vinhedos

Na última quarta, a Natasha participou de uma viagem de imprensa a convite da AVAESEN, a Asociación Valenciana del Sector de la Energía.

Ela está preparando uma matéria especial pra contar o que viu por lá.

Está ali a solução para futuros apagões, como o que afetou Espanha e Portugal recentemente?

Falamos sobre isso na próxima edição.


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[Podcast] Las Niñas

Este podcast apresentado por Carol Prolo e Natalie Unterstell é uma boa novidade da podosfera nacional. Nessa semana, o programa chegou ao sétimo episódio. Nas palavras delas, toda semana, análises sobre as principais notícias e uma conversa acessível – com um quê terapêutico, porque, convenhamos, a gente precisa assimilar tudo isso juntos”.

Disponível no Spotify e nos principais players.

[Vídeo] E se tudo fosse movido a combustíveis fósseis?!

Uma propaganda da Nissei de 2012 voltou a circular esta semana no LinkedIn. Eu sei, propaganda, propaganda de carro… soa estranho. Mas essa vale o play. Mesmo. Assiste aí para entender por quê.

[Livro] It’s not just you – How to navigate eco-anxiety and the climate crisis

Tori Tsui é uma jovem ativista nascida em Hong Kong e criada em Londres que roda o mundo lutando pelo fim dos combustíveis fósseis.

Quando eu (Natasha) vi que ela estaria no ChangeNOW, na hora decidi incluir na minha programação a cobertura do fireside chat de que ela participaria durante a sessão “Taking care of ourselves: mental health matters”, porque tinha gostado muito da apresentação que ela fez em Londres, durante o edie 25.

Poucos minutos antes de a conversa começar, descobri que ela estava lançando um livro em que conta sua história como ativista e fala sobre os impactos disso (e da preocupação com o futuro do planeta, de uma forma geral) na sua saúde mental.

Não só comprei o livro e comecei a ler já no dia seguinte, como aproveitei para pedir um autógrafo e elogiar seu trabalho. Pra mim, é sempre revigorante ver gente jovem falando com o entusiasmo característico sobre as pautas que defendem. 🙂

Vale a leitura.


Para seguir pensando

 

A Farol da Economia Regenerativa condena práticas como greenwashing, socialwashing, diversitywashing e wellbeing washing. As informações compartilhadas aqui passam por um processo de checagem feito pelo nosso time de jornalistas, porém, sabemos que muitas vezes à primeira vista pode não ser fácil distinguir iniciativas legítimas de tentativas de greenwashing, por exemplo. Acredita que algo não deveria estar aqui? Fique à vontade para nos procurar.

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Publicado por
João Guilherme Brotto

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