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Guia orienta prefeitos e prefeitas a preparar cidades para a emergência climática

Publicação da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos e do WRI Brasil reúne conceitos, responsabilidades e estratégias para fortalecer a prevenção, a resposta e a recuperação diante de desastres

Nos últimos anos, cidades de todas as regiões do Brasil enfrentaram desastres climáticos de grandes proporções, como as inundações no Rio Grande do Sul, as ondas de calor no Sudeste e as secas prolongadas no Nordeste. Esses eventos, cada vez mais frequentes e intensos, expõem vulnerabilidades, causam perdas humanas e econômicas e colocam à prova a capacidade de resposta dos governos locais. 

Nesse contexto, a Comissão Permanente de Adaptação Urbana e Prevenção de Desastres (CASD) da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) lançou o guia “Como preparar seu município para a emergência climática”.

Elaborada por especialistas do WRI Brasil, a publicação busca ampliar o conhecimento das lideranças municipais e fortalecer a capacidade institucional e operacional das cidades para agir antes, durante e após desastres. O material reúne conceitos essenciais, marcos legais e um roteiro estratégico de atuação, com atenção especial ao papel de prefeitas e prefeitos.

Leia também:
A tragédia no Rio Grande do Sul, a justiça climática e o setor privado

A emergência climática e seus impactos no Brasil

O documento parte do reconhecimento de que a emergência climática já é uma realidade nas cidades brasileiras, que enfrentam eventos extremos como chuvas intensas, secas e ondas de calor, cada vez mais frequentes e graves. 

Somente em 2024, houve 3.712 reconhecimentos de situação de emergência em 1.951 municípios brasileiros, com destaque para 1.571 no Rio Grande do Sul. As perdas econômicas associadas a desastres climáticos ultrapassaram R$ 35 bilhões.

O mapa abaixo apresenta os principais impactos dos desastres no Brasil no ano passado:

Fonte: Guia “Como preparar seu município para a emergência climática”, com dados de Instituto Talanoa (2025), Gama (2024), Salvador (2024 e 2025), Brasil (2024)

O guia destaca que os custos da prevenção e adaptação são muito menores que os da recuperação pós-desastre. Cada real investido em planejamento, infraestrutura resiliente e sistemas de alerta pode evitar múltiplas perdas futuras em reconstrução, saúde e assistência social. 

O documento também ressalta que os desastres não são apenas fenômenos “naturais”, mas o resultado da interação entre ameaças climáticas e vulnerabilidades sociais, urbanas e ambientais – muitas vezes agravadas pela ação humana, como ocupação irregular, falta de planejamento e degradação ambiental.

Essa compreensão teórica, porém, contrasta com a realidade prática dos municípios brasileiros, que enfrentam limitações estruturais significativas para implementar estratégias preventivas…

Desafios dos municípios brasileiros diante dos desastres

Entre os principais obstáculos dos municípios brasileiros diante dos desastres está a ausência de uma cultura de planejamento preventivo.

De acordo com o estudo, apenas 28% dos municípios brasileiros possuem mapeamento de risco, somente 9% dispõem de carta de suscetibilidade, apenas 1% possui carta de aptidão à urbanização e, em 2024, somente 23 municípios tinham planos de ação climática publicados.

Além disso, o panorama das defesas civis municipais revela outras limitações: 

Estratégias integradas para enfrentar a emergência climática nos municípios

Diante desse cenário de limitações estruturais, o guia apresenta um roteiro prático para transformar a gestão municipal. A proposta central é uma mudança de paradigma, organizando as ações municipais em um ciclo completo que integra gestão de riscos e desastres (GRD) com adaptação climática.

Etapas e ações de gestão de risco e gerenciamento de desastres

O ciclo de atuação da defesa civil compreende duas grandes etapas: Gestão de Risco (anterior ao evento) e Gerenciamento de Desastres (durante e após o evento), cada uma com ações específicas e complementares.

Além disso, o guia identifica onze competências essenciais organizadas em um ciclo integrado. 

Por fim, o guia demonstra como medidas de gestão de riscos e desastres e adaptação podem gerar benefícios múltiplos quando implementadas de forma integrada. A adaptação reduz vulnerabilidades e fortalece a capacidade adaptativa à mudança do clima, enquanto a GRD reduz riscos existentes e gerencia riscos residuais com contingência e resposta.

→ O guia “Como preparar seu município para a emergência climática” está disponível na íntegra neste link.

Leia também: 12 soluções para construir cidades resilientes, vivas e regenerativas


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Redação A Economia B

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