Cidades & Adaptação

Guias de arborização urbana indicam quais árvores plantar em cada região do Brasil

MMA lança guia nacional para arborização urbana adaptada a cada região do país

Escolher a árvore errada para uma calçada pode gerar conflitos com redes elétricas, danificar estruturas urbanas e comprometer a biodiversidade local. Para ajudar municípios a lidar com esse desafio, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou a Coletânea Brasileira de Arborização Urbana, um conjunto de cinco guias regionais com orientações técnicas voltadas ao planejamento da arborização nas cidades brasileiras.

A coletânea foi organizada em três eixos principais: biodiversidade, flora regional e políticas públicas, buscando apoiar desde projetos paisagísticos até estratégias de planejamento urbano e adaptação ambiental.

Um dos principais pontos destacados nos guias é que a arborização urbana não pode seguir um modelo único no Brasil. Enquanto cidades do Norte precisam lidar com espécies adaptadas ao clima amazônico e à alta umidade, municípios do Sul enfrentam desafios ligados às geadas e às espécies típicas da Mata Atlântica e dos campos sulinos. Já regiões do Semiárido demandam árvores mais resistentes à escassez hídrica e às temperaturas elevadas.

As publicações também chamam a atenção para o fato de que o uso excessivo de espécies exóticas pode reduzir a biodiversidade local e favorecer processos de invasão biológica.

Outro tema recorrente é a desigualdade na distribuição de áreas verdes dentro das cidades brasileiras. Os guias destacam que bairros periféricos frequentemente apresentam menor cobertura arbórea e menos espaços verdes, o que influencia diretamente o conforto térmico, a qualidade ambiental e o bem-estar da população.

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O volume dedicado à Região Norte reúne contribuições de pesquisadores de universidades e instituições da Amazônia para mapear espécies, conflitos e caminhos possíveis para a arborização das cidades amazônicas – cercadas pela maior floresta tropical do mundo, mas frequentemente carentes de cobertura arbórea em suas áreas urbanizadas.

O documento traz listas detalhadas de espécies nativas recomendadas para cada um dos sete estados da região, com atributos ecológicos, morfológicos, fenológicos e reprodutivos que ajudam gestores a escolher a árvore certa para o lugar certo. Entre os exemplos citados estão espécies como a samaúma, o pau-pretinho, o ipê-amarelo, a mamorana e o açaí – algumas já tradicionais no paisagismo amazônico, outras subutilizadas apesar do enorme potencial ornamental.

O relatório ainda dedica espaço à crítica do uso excessivo de espécies exóticas em uma das regiões mais biodiversas do planeta. Segundo o documento, mangueiras originárias da Índia dominam alamedas inteiras de Belém, enquanto leucenas, amoreiras e ipês-de-jardim aparecem entre as exóticas com potencial invasor mais comuns na arborização urbana do Norte. Os autores destacam que não é preciso eliminar essas árvores, mas é importante questionar – e entender – por que cidades cercadas por uma flora tão rica continuam replicando paisagens importadas.

Além das listas de espécies, o guia traz capítulos sobre poluição atmosférica em Belém e Manaus – com dados de remoção de poluentes proporcionada pela arborização –, avaliação de risco de queda, pragas e doenças das principais espécies urbanas, e propostas de infraestrutura verde como jardins de chuva e biovaletas para enfrentar enchentes urbanas, cada vez mais frequentes na região.

Na prática, o que o material defende é que arborizar cidades amazônicas é reconectar tecido urbano e floresta, uma tarefa que exige conhecimento técnico, espécies certas e vontade política.

A coletânea busca incentivar municípios a incorporar a arborização ao planejamento urbano de longo prazo, reforçando a ideia de que as árvores deixaram de cumprir um papel meramente decorativo para integrar a infraestrutura essencial das cidades brasileiras.

→ Acesse os cinco relatórios da Coletânea Brasileira de Arborização Urbana aqui.

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