Manifesto

Nos acostumamos a definir como cases de sucesso as histórias de empresas que crescem a passos largos, dominam mercados, engolem concorrentes e se tornam “as melhores do mundo”.

Empreendedores são elevados ao status de super heróis por criarem impérios. Aparecem nas fotos de divulgação com os braços cruzados no estilo Superman e, não raro, são idolatrados. Mas pouco são questionados a respeito do custo social e ambiental que os conduziu até o topo da pirâmide.

O sucesso financeiro acima de tudo se tornou a principal métrica para dizer que “tal pessoa chegou lá” ou que “aquela empresa é incrível”. Não importa como se relacionem com parceiros, clientes, fornecedores, funcionários e sociedade.

Grandes empresários são admirados e respeitados pelo tamanho de sua conta bancária e pelas, tantas vezes exageradas, “histórias de superação e determinação” – o que é compreensível em uma sociedade que vê o dinheiro como um Deus. Só que essas narrativas parecem se esquecer de contar o lado real de tantas jornadas empreendedoras.

Por trás de cada bilionário sorrindo de braços cruzados, em regra, há milhares de funcionários explorados e mal remunerados. Há fornecedores explorados e reféns do poder de seus clientes. Há desprezo ao meio ambiente e ao ser humano. Muitas vezes sobra “até” para os clientes, mal atendidos ou enganados.

Mas tá tudo bem! O marketing resolve.

Ainda que o capitalismo tenha sido responsável por promover grandes avanços, é fácil reconhecer que o sistema falhou quando a realidade escancara que 2.153 bilionários do mundo têm mais riqueza do que 4,6 bilhões de pessoas – ou cerca de 60% da população mundial (Oxfam).

Por que aceitamos o absurdo como normal?

Isso nos leva a uma necessidade urgente de ressignificar o que é uma história de sucesso empresarial

Afinal, quem são as pessoas e empresas que deveriam, de verdade, ser reconhecidas? Onde estão essas histórias? Como as empresas podem ajudar a construir um mundo mais justo? Que empresas estão revendo sua postura para se tornarem melhores para o planeta e mais humanas?

Não precisamos de cases construídos com doses exageradas de técnicas de storytelling. Precisamos de mais histórias reais, de gente real, resolvendo problemas reais. Precisamos de inovações que ajudem a acabar com a fome, com a exploração, com a desigualdade e a resolver a urgência climática.

  • Não precisamos de impérios construídos a qualquer custo;
  • Não precisamos de bilionários;
  • Não precisamos de mais apps de delivery;
  • Não precisamos do novo Uber de tal mercado.

Todo mundo quer inovar e ser disruptivo, mas será que estamos fazendo isso da forma correta? A busca cega pelos próximos unicórnios ignora questões fundamentais para o bem-estar coletivo.

A diversidade, a equidade e a preocupação com causas ambientais e sociais precisam estar na pauta das empresas. Não importa se estamos falando da padaria do bairro ou do conglomerado multibilionário.

Não podemos esperar que o poder público resolva todos os problemas do mundo enquanto apenas assistimos, reclamamos e pouco contribuímos. As empresas podem e precisam fazer mais.

A boa notícia é que esse movimento vive. Existem milhares de boas histórias mundo afora. Elas estão ganhando força e, aos poucos, redesenhando o capitalismo.

A Economia B surge justamente para dar voz a essas histórias e incentivar a promoção do bem-estar coletivo no mundo dos negócios, com respeito ao meio ambiente e às pessoas.

Esperamos que você encontre aqui um caminho para entender essa nova economia, que é baseada, sobretudo, na empatia e no respeito ao coletivo.

Por aqui, você vai conhecer histórias de pessoas e empresas que estão fazendo a diferença no mundo. De verdade.

Seja bem-vindo ao A Economia B.