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Transição de matriz energética: a ComBio e a revolução da biomassa

ComBio e a revolução da biomassa
Imagem: ComBio

Conheça o trabalho da ComBio e entenda como essa empresa B utiliza a biomassa para promover a transição da matriz energética de origem fóssil para renovável

A biomassa é o insumo mais renovável para a geração de energia térmica. No entanto, o setor industrial ainda é dominado pela energia gerada a partir de óleo e gás. Foi com o objetivo de mudar esse cenário que a ComBio nasceu, em 2008.

A empresa paulista, que atende às indústrias têxtil, química, de mineração, papel e celulose e alimentos e bebidas – as maiores consumidoras de vapor no Brasil –, é protagonista na mudança da matriz energética fóssil para renovável no país. Na Cúpula Global do Clima*,  Roberto C Véras J, diretor de Sustentabilidade da empresa, compartilhou os detalhes dessa história e falou sobre o potencial do mercado de biomassa no Brasil.

Os principais destaques da apresentação de Roberto você confere a seguir.

O que é biomassa?

A biomassa é formada por resíduos orgânicos de origem animal ou vegetal oriundos de atividades agrícolas e de reflorestamento. Especificamente no caso da geração de energia térmica por parte da ComBio, a base da biomassa são insumos vegetais como, por exemplo: bagaço de cana, casca de laranja, caroço de açaí, cavaco de madeira, casca de arroz, pó de serra, cavaco reciclado e eucalipto. “A ComBio é a primeira empresa do Brasil a queimar qualquer tipo de biomassa. O que é resíduo para alguns, é energia para nós”, informa a empresa em seu site.

Roberto C Véras J – Combio e biomassa
Roberto C Véras J

“O Brasil é muito rico. É uma terra fértil e com variedade. Hoje temos iniciativas de plantio e rebrota. O eucalipto serve como uma reserva de biomassa para a gente conseguir garantir o abastecimento e não depender de outros resíduos que são incertos. Muitos oscilam e não nos garantem previsibilidade. Por isso, inovamos nas caldeiras para que possam queimar biomassa não previstas. Nosso setor de pesquisa encontra meios para isso. Inclusive, ao atuar dessa forma, estamos muito direcionados ao ODS 9 – Inovação na indústria”, celebrou Roberto. 

De acordo com Roberto, a biomassa é melhor do que óleo e gás porque sua queima não adiciona C02 na atmosfera. 

Isso porque a planta que originou a biomassa já capturou o dióxido de carbono. “Ele é capturado no processo vegetativo de qualquer planta e quando queimo, devolvo. É um ciclo neutro de emissões. Já o combustível fóssil (óleo/petróleo/gás) pega carbono na camada pré-sal, no subterrâneo da Terra. Estamos falando de algo que está ali há 300 milhões de anos e é extraído e jorrado na atmosfera. Quando se compara dessa forma tem essa diferença crucial. Enquanto combustíveis fósseis adicionam CO2 na atmosfera, a biomassa recircula”, explicou. 

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Mudando as regras do setor industrial para torná-lo mais sustentável

Os impactos dessa transformação de matriz energética são grandes porque, segundo Roberto, as indústrias costumam gastar mais com vapor do que com energia elétrica. Além disso, o mais comum é que o vapor seja gerado através de caldeiras a gás ou a óleo geridas pelas indústrias e instaladas dentro de seu próprio parque industrial.

E é justamente essa “regra” que a ComBio trabalha para mudar. “Sem qualquer investimento por parte do cliente, a ComBio promove a migração de matriz energética fóssil para renovável, cobrando apenas o volume de energia consumido. Com redução na conta de vapor do cliente na ordem de 40%, a ComBio entrega ainda maior disponibilidade das caldeiras e possibilita que o cliente aloque capital em ativos de seu core business”.

Curiosidade:

A ComBio é uma das 39 empresas B brasileiras que fazem parte do Best For The World.
Este ranking global reúne as B Corps melhor avaliadas em cinco áreas:

– Comunidade;
– Clientes;
– Meio Ambiente;
– Governança;
– Trabalhadores.

Apresentamos a lista completa
neste artigo.

O trabalho da ComBio, na prática

Transição de matriz energética: ComBio e a revolução da biomassa
Imagem: ComBio

A base do trabalho da ComBio é a geração de vapor e a cogeração de energia térmica com biomassa, que, nas palavras de Roberto, promove “melhorias ambientais e significativas reduções de custos para clientes do segmento industrial”.

O processo descrito pelo Diretor de Sustentabilidade da empresa é feito por meio da instalação de uma caldeira em um terreno cedido pelo cliente na região da fábrica. A ComBio, então, cuida de todas as etapas:

  • Suprimento da biomassa;
  • Armazenamento e distribuição;
  • Geração do vapor – O vapor é disponibilizado por meio de uma tubulação, substituindo, assim, a necessidade de o cliente utilizar sua caldeira, que pode ficar como backup. O cliente paga apenas pelo volume consumido. 
  • Entrega do produto;
  • Aproveitamento dos resíduos.

Números e benefícios

Via de regra, entre 70% e 90% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) das fábricas são oriundos das caldeiras. As soluções implantadas pela ComBio têm o potencial de reduzir as emissões do cliente em até 81% e o custo financeiro da geração de vapor em até 40%.

“Quando o cliente entende que a caldeira é o problema, mas não tem como investir para reduzir, a ComBio resolve o problema. Com isso, atingimos diretamente os ODS 7 (Energia acessível e limpa) e 13 (Ação contra a mudança global do clima). E um efeito colateral nosso é a geração de crédito de carbono. Temos um acordo em que o cliente fica com parte dos créditos. Com isso, o ajudamos a matar emissões que não consegue eliminar de outras formas”, revelou.

Outro ponto importante é o aproveitamento de resíduos do processo. As emissões geradas pela queima da biomassa são captadas por um sistema de filtragem. E as cinzas são destinadas à produção de fertilizantes orgânicos ou compostagem.

Do ponto de vista da gestão do negócio do cliente, um dos benefícios apontados por Roberto é que, além da redução de custos e dos ganhos ambientais, o cliente pode direcionar esforços e investimentos em seu core business.

Desde 2012, 1.300.000 toneladas de CO2 deixaram de parar na atmosfera por causa da ComBio. Isso é igual a 63 dias de emissões de CO2 na cidade de São Paulo neutralizados e 487 toneladas/hora de capacidade instalada de vapor. Atualmente, a empresa tem 10 caldeiras em operação.

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O potencial do mercado de biomassa no Brasil

Roberto conta que não é possível apontar precisamente qual é a representatividade do mercado de biomassa no total da energia térmica gerada/consumida no Brasil porque essa informação não é pública. Afinal, como a energia térmica costuma ser gerada dentro das fábricas pelas próprias indústrias, não existe um estudo que consolide o retrato do setor. 

“Por experiência, sabemos que empresas de papel – como a Klabin e Melhoramentos, por exemplo – geram bastante resíduo florestal. Há tempos operam com biomassa e por conta própria. O setor sucroalcooleiro tem o bagaço de cana, as empresas geram energia térmica dentro de casa com biomassa. Mas a imensa maioria ainda está no gás e óleo. Hoje, a ComBio tem oito projetos em operação. Se somarmos a nossa atividade com a de nossos concorrentes, não temos mais do que 20 projetos rodando no país, mas estimamos que há potencial de 500. Somos líderes de mercado com 1% de share. Temos muito campo para crescer”, concluiu.

*Este artigo sobre a ComBio e a revolução da biomassa faz parte da cobertura da primeira Cúpula Global do Clima, evento realizado pelo Sistema B e pelo B Lab entre 29/06 e 01/07/21. Assine nossa newsletter para receber todas as atualizações.

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João Guilherme Brotto

Jornalista e co-fundador de A Economia B. Cursando MBA em Desenvolvimento Sustentável e Economia Circular. Há 12 anos trabalho com comunicação empresarial, marketing de conteúdo e jornalismo de negócios.

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