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Evolução dos ODS: Saúde e bem-estar para todos

O terceiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável visa promover saúde e bem-estar globalmente. Entenda o panorama atual das questões relacionadas a essa meta da ONU e saiba quais são os principais desafios para o alcance deste ODS.

No primeiro artigo sobre a evolução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), tratamos do progresso dos dois primeiros focos do documento: Erradicação da pobreza; Fome Zero e Agricultura sustentável

Dando continuidade a essa série, abordaremos neste artigo o terceiro ODS: Saúde e Bem-estar.

E é inegável a conexão entre ele e os dois primeiros. Afinal, a falta de recursos e de acesso a serviços básicos que atingem as pessoas vivendo em pobreza extrema se reflete diretamente na falta de cuidado adequado com a saúde (física e mental). Além disso, a falta de alimentação apropriada também resulta em problemas de saúde.

Esse, aliás, infelizmente é um ciclo que atinge grande parte da população global…

– Milhares de pessoas ainda morrem por não ter acesso a serviços básicos de saúde, ou porque as regiões onde moram não possuem profissionais capacitados.
– Todos os anos, 800 mulheres morrem por complicações na gestação (que poderiam ser prevenidas ou tratadas) e 15 mil crianças falecem antes de completar cinco anos por conta de doenças evitáveis.
– Além disso, a falta de controle e tratamento de doenças transmissíveis é responsável pela morte de mais de 3,5 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.

É importante salientar, porém, que, apesar dos números assustadores, o cenário atual apresenta uma melhora significativa em comparação com as décadas passadas. 

No entanto, muito ainda precisa ser feito para que seja possível alcançar o terceiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas de, até 2030:

Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades“. 

A seguir, conheça os principais indicadores relacionados às metas estabelecidas para esse objetivo. Além disso, entenda qual é o papel do setor privado para a resolução desses problemas e conheça algumas iniciativas nesse sentido. 

Objetivo 3) Saúde e Bem-Estar
Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades

Os indicadores relacionados ao terceiro ODS referem-se a questões como mortalidade materna e infantil, controle de doenças transmissíveis e não-transmissíveis e acesso à assistência para saúde física e mental.

Mortalidade materna 

Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 300 mil mulheres morreram por problemas relacionados à gravidez em 2015. Ou seja, em média 830 mulheres morreram por dia por essa mesma causa.

É por isso que uma das metas da ONU é, até 2030, reduzir a mortalidade materna – resultante de complicações durante a gestação, no parto e no puerpério (até 42 dias após o parto) – para menos de 70 a cada 100 mil nascimentos bem-sucedidos. 

A situação atual em relação a esse objetivo varia muito de acordo com a região.

Segundo a ONU, mais de 90% das vítimas de mortalidade materna são de áreas e países mais pobres e com níveis de desigualdade elevados. Na União Europeia, por exemplo, o índice é de 8 mortes a cada 100 mil partos. Já em Serra Leoa, uma mulher tem de 300 a 400 vezes mais chances de morrer durante a gravidez. 

De acordo com o Banco Mundial, o Brasil já alcançou esse objetivo. Aqui, o índice aqui é de 44 mortes para cada 100 mil partos. Esse é um avanço e tanto em comparação com a década de 90, quando tal indicador chegou a 94 mortes a cada 100 mil partos no país. 

Porém, apesar de estar abaixo do limite estabelecido pela Agenda 2030, um estudo recente da OMS indica que, anualmente, cerca de 1.700 de brasileiras ainda morrem por conta de complicações relacionadas à gravidez.

O Grupo Interagencial de Estimativa de Mortalidade Materna da ONU (MMEIG) alerta que é preciso acelerar as mudanças necessárias para acabar com a mortes maternas por causas evitáveis. De acordo com a agência, se o ritmo de progresso nessa área continuar o mesmo nos próximos anos, essa meta não será atingida até 2030, resultando na perda de mais de 1 milhão de vidas globalmente.

Mortalidade infantil

Todos os dias, cerca de 15 mil crianças com menos de cinco anos ao redor do globo morrem por conta de problemas de saúde que poderiam ser evitados e/ou tratados. 

Para se ter uma ideia de como essa faixa da população é afetada:

– Em 2017, o número de pessoas que faleceram antes de completar o quinto aniversário foi maior do que a quantidade de mortes de indivíduos com mais de 90 anos.
– Neste mesmo ano, 5,4 milhões de crianças com menos de cinco anos tiveram suas breves vidas interrompidas. Esse nível de mortalidade foi praticamente igual ao de pessoas com idade entre 85 e 89 anos.
Grupo Interagencial de Estimativa de Mortalidade Infantil (UN IGME) aponta que, globalmente, 85% das mortes infantis (de indivíduos com até 14 anos) acontecem nos primeiros cinco anos de vida. 

Esses indicadores mostram que a meta da ONU de reduzir o índice de mortalidade infantil dessa faixa etária para até 2,5% globalmente (25 mortes para cada mil crianças) ainda está longe de ser alcançada. Atingir essa meta significaria que 97,5% dos recém-nascidos em todo o mundo sobreviveriam os primeiros cinco anos. 

Em 2015, quando a Agenda 2030 foi estabelecida, a média de mortalidade infantil era de 4,2%. Três anos depois, esse índice caiu para 3,9%.

Além disso, segundo a UN IGME, em 2018, 121 países já haviam atingido a meta de obter um índice de mortalidade infantil de até 2,5%. Entre eles, está o Brasil, onde a cada mil crianças nascidas, 14 (1,4%) não completam cinco anos – de acordo com o IBGE.  

Porém, apesar dos visíveis avanços, a ONU prevê que se o ritmo de progresso nessa área continuar o mesmo nos próximos anos, 51 países não vão conseguir alcançar essa meta até 2030. Isso, por sua vez, resultaria na morte de 11 milhões de crianças com menos de cinco anos – mais da metade delas na África Subsaariana.  

Doenças transmissíveis e não-transmissíveis  

Aids, malária, tuberculose e hepatite estão entre as doenças transmissíveis que mais merecem atenção globalmente. Juntas, essas três mazelas são responsáveis por volta de 3,6 milhões de mortes por ano em todo o mundo. 

Os últimos levantamentos indicam que, anualmente: 

– O vírus HIV mata 954 mil pessoas.
– A tuberculose causa mais de um milhão de mortes globais.
– Cerca de 619 mil indivíduos morrem por conta da malária.
– As hepatites virais matam mais de 1.3 milhões ao redor do globo. 

Todos esses indicadores tiveram melhoras significativas na última década. Porém, a situação global ainda é alarmante.

A Agenda 2030 estabelece como meta a eliminação dessas epidemias até 2030. No entanto, diversos fatores – como falta de acesso a serviços de saúde, falta de políticas públicas e falta de saneamento básico em áreas mais pobres – vão contra a esse objetivo. 

Já entre as doenças não transmissíveis, o terceiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável chama atenção para o alto nível de mortalidade relacionado a problemas no coração, câncer, diabetes ou doenças respiratórias crônicas. 

Em todo o mundo, estima-se que 18% da população com 30 anos deve falecer antes dos 70 por conta de algumas dessas mazelas. No Brasil, esse indicador é de 16%. 

Além disso, problemas de saúde mental também estão entre as principais causas de mortes causadas por doenças não transmissíveis.

Em todo o mundo, um a cada sete indivíduos sofre com algum transtorno mental. Tais transtornos, por sua vez, são responsáveis por grande parte dos suicídios que acontecem globalmente. Anualmente, cerca de 800 mil pessoas terminam suas próprias vidas – o que significa que um suicídio acontece a cada 40 segundos. 

No Brasil, a situação nessa área é preocupante, pois o número de suicídios vem crescendo nos últimos anos. Em 2005, o índice era de 5,5 suicídios para cada 100 mil habitantes. Em 2010 esse indicador saltou para 5,7 e, em 2016, para 6,5. 

Acesso a serviços de saúde

A meta da ONU é, até 2030, “atingir a cobertura universal de saúde, incluindo a proteção do risco financeiro, o acesso a serviços de saúde essenciais de qualidade e o acesso a medicamentos e vacinas essenciais seguros, eficazes, de qualidade e a preços acessíveis para todos” 

Grande parte dos problemas citados até aqui poderiam ser amenizados e até eliminados se a cobertura universal de saúde fosse realidade. Porém, esse cenário está longe de se concretizar. 

Segundo estudos da Organização Mundial da Saúde, atualmente, mais da metade da população global ainda não tem acesso a serviços básico de saúde. 

E ainda, como não possuem apoio financeiro nesse sentido, 800 milhões de pessoas gastam pelo menos 10% de suas rendas com tratamentos médicos para algum membro da família. Como resultado, mais de 100 milhões de pessoas acabam entrando na pobreza extrema por conta desses gastos. 

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O papel do setor privado no alcance do terceiro ODS
– e as oportunidades que isso representa

ODS ONU: Saúde e bem-estar

É inegável que a participação do poder público é crucial para resolver os problemas relacionados à saúde da população mundial. Contudo, o setor privado também pode fazer diferença para oferecer uma vida mais saudável para milhares de pessoas. 

Por um lado, essa é uma necessidade urgente para garantir a saúde e o bem-estar dos funcionários e parceiros. Por outro, resulta em maior engajamento e produtividade. Portanto, começar atuando internamente é um primeiro e importante passo para que as organizações possam contribuir para o alcance dessa meta. 

Exemplos de ações nesse sentido: 

– Oferecimento de plano de saúde de qualidade para os funcionários.
– Programas para cuidar da saúde física e mental do público interno.
– Apoio psicológico para garantir o bem-estar dos colaboradores.
– Assistência para serviços de saúde emergenciais – dos funcionários e de seus familiares.
– Programas para gerar mais segurança, saúde e bem-estar dentro da organização. 

Além disso, as empresas também podem enxergar essa questão como uma oportunidade de se fortalecer no mercado. 

Segundo o relatório Better Businnes, Better World, o alcance dos ODS pode gerar pelo menos 12 trilhões de dólares em oportunidades em diferentes mercados – criando mais de 380 milhões de empregos, especialmente em países em desenvolvimento.

Entre os setores em destaque, está o de saúde e bem-estar – sendo que “novas solução para seguros de saúde” é o segundo maior potencial mercado nesse sentido, que pode gerar até 1,6 bilhões de dólares em negócios nos próximos anos.

Imagem: Better business, better world

 

Para contribuir para o alcance do terceiro ODS é possível, por exemplo:

– Criar redes de atendimento para garantir que a população mais carente tenha acesso a serviços de saúde mental.
– Oferecer produtos de saúde de qualidade acessíveis para públicos carentes.
– Criar programas para facilitar o acesso a informações e serviços de saúde.
– Atuar em parceira com governos e ONGs para gerar mais saúde e bem-estar em áreas pobres.
– Criar produtos e serviços de saúde direcionados especificamente às necessidades de populações carentes.

Inclusive, algumas empresas já estão agindo para contribuir para o objetivo global de assegurar uma vida mais saudável e promover o bem-estar para todos. É o caso, por exemplo, destas três:

ODS 3 – Saúde e Bem-estar:
Warby Parker

ODS ONU: Saúde e bem-estar – Warby Parker

Mais de dois bilhões de pessoas ao redor do mundo sofrem com algum tipo de deficiência visual – e pelo menos um bilhão são obrigadas a viver com problemas que poderiam ser evitados ou corrigidos se tivessem acesso a consultas ou a importantes ferramentas de correção, como óculos. Esse, aliás, é um fator que impacta diretamente suas vidas, já que elas não conseguem estudar e trabalhar de maneira adequada. 

A loja de óculos Warby Parker (que está presente em diversas cidades dos Estados Unidos e também em Vancouver e em Toronto, no Canadá) resolveu abraçar essa causa – que, aliás, está diretamente alinhada às suas operações.

Para cada óculos que a empresa vende, um par é doado para alguém em necessidade. Para garantir que os óculos cheguem a quem realmente precisa, a organização atua com parceiros em mais de 50 países. Segundo a Warby Parker, mais de cinco bilhões de óculos foram distribuídos desde que o programa foi criado.

Saiba mais!
www.warbyparker.com/buy-a-pair-give-a-pair

ODS 3 – Saúde e Bem-estar:
Mommy Monitor

ODS ONU: Saúde e bem-estar – Mommy Monitor

Nos Estados Unidos, as chances de mães negras morrerem por conta de complicações na gravidez são até três vezes maiores em comparação com mães brancas. No Reino Unido, a taxa de mortalidade de mães negras é cinco vezes maior do que a de mães brancas. No Canadá, a incidência de nascimentos de bebês prematuros é significativamente maior em mulheres negras. Todos esses indicadores são de países desenvolvidos, mas em regiões mais pobres a situação é ainda pior. Segundo a OMS, 94% das mortes maternais acontecem em países de baixa renda.   

Mommy Monitor, um aplicativo para monitoramento da gravidez, acredita que a solução para esse problema está em apoiar – via serviços e via educação – as futuras mães que vivem em áreas mais carentes, especialmente as afrodescendentes.

Para resolver a desigualdade em termos de acesso a serviços de qualidade para mulheres negras grávidas, a empresa oferece programas como, por exemplo:

– Apoio gratuito de doulas;
– Workshops sobre os direitos das grávidas;
– Serviços como treinamentos maternais para as famílias.
 

Saiba mais!
www.mommymonitor.ca/programs 

ODS 3 – Saúde e Bem-estar:
Fullerton Health Group

ODS ONU: Saúde e bem-estar – Fullerton Health

O propósito do provedor de serviços de saúde Fullerton Health Group é “oferecer cuidados de saúde com preços acessíveis para toda a Ásia-Pacífico”. Tal resolução está diretamente alinhada com a meta de alcançar a cobertura universal de saúde.  

Um dos programas do grupo – o Project Big Heart – fornece consultas e medicamentos gratuitos a idosos e cidadãos carentes em Singapura, visando a identificação e o tratamento de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e colesterol alto.

Outra iniciativa da empresa na Indonésia, com o objetivo de aprimorar a detecção de tuberculose, examinou mais de 2.000 residentes em South Sulawesi, uma área identificada para a alta prevalência de tuberculose. Os pacientes diagnosticados receberam tratamento imediato. 

Saiba mais!
www.fullertonhealth.com/community

Bons exemplos, não é mesmo?

Que eles sirvam para inspirá-lo a encontrar formas de fazer a diferença e contribuir com a evolução desse Objetivo de Desenvolvimento Sustentável tão importante para a humanidade!

Gostou do que leu aqui? Compartilhe e nos ajude a espalhar boas histórias, ideias e reflexões por aí. Ninguém muda o mundo sozinho. Porém, juntos, podemos fazer a diferença!

 Agora, queremos saber:

  • Você conhece alguma iniciativa empresarial relacionado ao terceiro ODS? 
  • Tem alguma sugestão de case que deveríamos apresentar em nosso portal? 
  • Gostaria de dar sua opinião e oferecer sua visão em relação aos problemas abordados neste artigo?

Deixe seu comentário e participe deste debate! 🙂

E fique atento aos próximos artigos da série Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – 10 anos para mudar o mundo. Para ficar por dentro de todas as novidades, assine nossa newsletter!

Imagens: Christian Bowen; Christian Bowen; Zach Vessels – via Unplash
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Francine Pereira

Jornalista, especializada em criação de conteúdo digital. Há mais de 10 anos escrevo sobre tendências de consumo, inovação, tecnologia, empreendedorismo, marketing e vendas. Minha missão aqui no A Economia B é contar histórias de empresas que estão ajudando a transformar o mundo em um lugar mais justo, igualitário e sustentável.

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