Tendências

Tendências de consumo para 2023: a relação entre consumidores, marcas e o planeta

Imagem: Guus Baggermans/Unsplash

Entenda os movimentos socioambientais que condicionam decisões de compra e saiba como posicionar sua marca para se alinhar às tendências de consumo para 2023

Os fatores que guiam as decisões de compra das pessoas apontam para as principais movimentações sociais e econômicas de um determinado período. Ou seja, é possível dizer que as tendências de consumo são um reflexo da época em que vivemos. 

Neste sentido, segundo um estudo da Mintel (consultoria especializada em análises de consumo), na década atual, as pessoas tendem a guiar suas decisões de compra em sete fatores:

  • Bem-estar: a busca pelo bem-estar físico e mental;
  • Contexto social: desejo de sentir-se conectado ao ambiente;
  • Tecnologia: interesse em encontrar soluções através da tecnologia nos mundos físico e digital;
  • Direitos: desejo de sentir-se respeitado, protegido e apoiado;
  • Valores: busca por benefícios tangíveis e mensuráveis em compras;
  • Identidade: necessidade de compreender e expressar a si mesmo e seu lugar na sociedade;
  • Experiência: busca e descoberta de estímulos.

Com base no relatório da Mintel Tendências Globais de Consumo 2023, buscamos entender os movimentos socioambientais que devem influenciar decisões de compra no próximo ano e além. 

As tendências de consumo que apresentamos a seguir revelam comportamentos-chave dos consumidores, especialmente no que se refere à forma como se relacionam com as marcas e o planeta. 

Esses movimentos indicam que as pessoas: 

  1. Querem participar da elaboração de produtos e serviços e demandam mais transparência e abertura das marcas;
  2. Darão cada vez mais preferência para marcas que se preocupam em buscar ingredientes locais, apoiando a economia nas comunidades em que atuam e protegendo o meio ambiente;
  3. Buscam a melhor relação custo x benefício, mas sempre levando em conta os valores e as causas que são importantes para elas.

A seguir, entenda melhor o que isso significa e conheça empresas que já estão alinhadas a essas tendências de consumo.

✊ Mais poder para as pessoas 🙋‍♀️

Tendências de consumo e sustentabilidade
Imagem: Freepik

Há muito tempo se fala na importância de empresas focarem seus negócios no consumidor. Porém, o relatório da Mintel indica que não basta apenas “escutar os clientes”; é preciso permitir que eles guiem os rumos da empresa. 

A verdade é que, na prática, os consumidores já estão no comando das estratégias organizacionais – seja por conta de suas decisões de compra ou por seus posicionamentos em relação à atuação das empresas que impactam diretamente nos resultados dos negócios. Contudo, a tendência agora é que as empresas oficialmente abram espaço para que as pessoas exerçam esse poder – por meio de investimentos, cocriação e participação nas decisões. 

A expansão das plataformas sociais que encorajam a autoexpressão e o desenvolvimento de ideias criativas – como o TikTok, por exemplo – gera nas pessoas uma expectativa maior de participação. Sendo assim, as marcas devem aproveitar esse espírito criativo e convidar perspectivas externas para seus processos de desenvolvimento de produtos e serviços. 

As empresas devem promover mais abertura, oferecendo um maior poder de participação aos consumidores

Para seguir essa tendência de consumo, as marcas precisam ter um canal aberto de comunicação com seus públicos. Além disso, devem ter um posicionamento efetivamente transparente em relação às suas operações. Assim, é possível convidar os consumidores a darem suas opiniões e visões sobre possíveis melhorias e/ou inovações. 

Na prática:

Além disso, as empresas também podem dar mais abertura e participação para as pessoas oferecendo formas de os consumidores ativamente agirem em prol de uma causa ou problema socioambiental.

Na prática:

  • Quando o consumidor compra um chocolate da Tony’s Chocolonely, ele sabe que o seu dinheiro será direcionado para ações voltadas a acabar com a escravidão na indústria do chocolate. Ou seja, a empresa ajuda o consumidor a participar ativamente dessa causa por meio da decisão de compra.
Leia também: A empresa que nasceu para acabar com a escravidão na indústria do chocolate


Visão para o futuro

“Nos próximos cinco anos, os consumidores se sentirão cada vez mais entrelaçados com a ética das marcas nas quais investem. O que as pessoas vestem, comem e dirigem não apenas sinalizará status, mas será um relato detalhado de suas atitudes e crenças.”

Mintel, Tendências Globais de Consumo 2023


 

👩‍🌾 Comprar localmente pensando globalmente 🌎

Tendências de consumo e sustentabilidade
Imagem: Elaine Casap/Unsplash

Entre as tendências de consumo apontadas pela Mintel que revelam uma preocupação cada vez maior dos consumidores com a sustentabilidade está a compra local.

O relatório indica que as pessoas comprarão localmente como uma forma de economizar, proteger o meio ambiente e os recursos regionais. Além disso, a compra local também é vista como uma maneira de oferecer um retorno à sociedade e ao planeta. 

Essa tendência revela uma mudança no comportamento do consumidor, que cada vez mais buscará se conectar com o que considera importante. Nesse contexto, a compra local deve significar benefícios para a comunidade e para o meio ambiente – por meio do apoio à economia local e da diminuição das emissões de gases de efeito estufa, por exemplo.  

As empresas devem investir mais em transparência e prestação de contas

Como reflexo dessa demanda, as marcas precisarão ser mais transparentes sobre como e onde fabricam seus produtos  – incluindo detalhes sobre a origem da matéria-prima de suas operações. 

Essas informações serão cada vez mais relevantes no processo de decisão dos consumidores, afinal, eles darão preferência a produtos que beneficiem a comunidade local. 

 Na prática:

  • A loja de descontos alemã Netto Marken-Discount lançou uma linha de frutas e vegetais vindos de produtores locais. Um código QR na embalagem permite que os consumidores saibam mais sobre a origem de cada item.
  • Além disso, outra iniciativa interessante nesse sentido é a plataforma brasileira Local.e, que conecta varejistas e marcas que utilizam produtores locais de sua região. 

Para o consumidor, comprar localmente pode significar não só apoiar sua própria região, mas também negócios que promovem o bem-estar nas comunidades em que atuam. 

Na prática:

  • Quem compra da empresa de cosméticos Darvore sabe que está apoiando pequenos agricultores na Amazônia, ajudando a proteger o bioma local e promovendo a economia na região. Por meio do aplicativo de rastreabilidade da empresa, os consumidores podem verificar de onde foram extraídos os produtos.
  • A Natura é outro exemplo relevante neste sentido. Por meio do Programa Natura Amazônia, a empresa impulsiona a geração de negócios sustentáveis na região. A Natura usa matérias-primas de 34 comunidades locais, utilizando técnicas produtivas sustentáveis, com foco na conservação de 2 milhões de hectares de floresta.  
Leia também: Sustentabilidade ambiental, econômica e social ‘em um potinho’

Visão para o futuro

“Na medida em que o impacto do aquecimento global será cada vez mais sentido, mais consumidores examinarão se as marcas globais levam a sério seus compromissos locais. Por exemplo, consumidores com consciência ecológica exigirão a rastreabilidade das matérias-primas e mais transparência sobre como as marcas estão conservando os recursos locais.”

Mintel, Tendências Globais de Consumo 2023


 🧭 Gastos intencionais 🌱

Tendências de consumo e sustentabilidade
Imagem: George Gregorio/Pexels

Em meio a diversas incertezas – econômicas, políticas, sociais e ambientais – a tendência é que os consumidores foquem cada vez mais no que importa para eles. Consequentemente, gastarão de forma mais intencional, buscando economizar, mas sem prejudicar seus valores. 

Nesse sentido, o estudo da Mintel aponta que fatores como flexibilidade, durabilidade e sustentabilidade terão papel cada vez mais importante nas decisões dos consumidores. 

Na prática, essa tendência de consumo revela que, além do preço (algo importante em tempos de inflação alta), as pessoas levarão em conta outros valores relacionados ao produto antes de tomar uma decisão de compra – se eles são duráveis e ambientalmente responsáveis, por exemplo. 

As empresas precisam oferecer benefícios econômicos e sustentáveis 

Essa tendência pode gerar modelos de negócios e estratégias específicas. O foco deve estar em atender essa demanda por produtos que ofereçam vantagens econômicas aliadas aos valores que são importantes para os clientes. 

Na prática:

  • A empresa Imperfect Foods vende frutas e verduras que seriam descartados por conta de pequenas imperfeições a um preço mais acessível.
  • A rede de supermercados inglesa Sainsbury’s tem uma linha de hortifruti com itens “imperfeitos” a um preço muito mais baixo. Além de ajudar a reduzir o desperdício de comida e a emissão de carbono resultante da produção e transporte desses produtos, iniciativas como essas oferecem vantagens financeiras para os consumidores. 

A reciclagem é outro caminho para as empresas ajudarem os consumidores a economizar, ao mesmo tempo em que cuidam do meio ambiente. É possível, por exemplo, oferecer maneiras fáceis e acessíveis de descarte dos itens que comercializam e até mesmo oferecer vantagens financeiras por isso. 

Na prática:


Visão para o futuro:

“Em cinco anos e além, esperamos ver marcas com planos e inovações que abordam os desafios de longo prazo enfrentados pelas indústrias, nações e comunidades das quais fazem parte. Os consumidores buscarão valor no propósito, apoiando marcas confiáveis que fazem a diferença, para garantir que suas escolhas de consumo cotidianas estejam alinhadas com o futuro que aspiram.”

Mintel, Tendências Globais de Consumo 2023


Relações de consumo e sustentabilidade

Tendências de consumo e sustentabilidade
Imagem: Sam Lion/Pexels

Fica cada vez mais claro que as pessoas esperam das marcas muito mais do que apenas produtos e serviços.

Ao decidir onde investir seu dinheiro, os consumidores avaliam os benefícios da compra não somente em termos de uso e vantagens pontuais, questões como a forma como a marca se relaciona com o meio ambiente, com seus funcionários, com a cadeia de suprimentos e com a comunidade onde atua também são levados em conta. Nós já falamos aqui sobre como a orientação aos stakeholders está promovendo transformações nas organizações.

Ou seja, o impacto de uma empresa no clima, nos recursos naturais, na biodiversidade e na sociedade influencia diretamente seu relacionamento com os clientes e, consequentemente, sua relevância no mercado. 

O estudo da Mintel indica que 62% dos brasileiros acreditam que se agirem agora, ainda dá tempo de salvar o planeta.


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Francine Pereira

Jornalista, especializada em criação de conteúdo digital. Há mais de 10 anos escrevo sobre tendências de consumo, inovação, tecnologia, empreendedorismo, marketing e vendas. Minha missão aqui no A Economia B é contar histórias de empresas que estão ajudando a transformar o mundo em um lugar mais justo, igualitário e sustentável.

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